quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Como ganhar Dinheiro com conteúdo Grátis na Internet

Especialistas debatem novos modelos e fontes de lucro na WEB

Modelos e oportunidades de negócio para quem quer viver da internet
A palestra “A cultura do grátis e do Freemium trabalhando a seu favor” foi um dos destaques do palco de Mídias Sociais da Campus Party 2012. Com a presença de Caique Severo (Portal iG), Jonny Itaya (Migre.me), Daniel Wjuniski (Minha Vida), Alexandre Canatella (CyberDiet) e com a mediação de André Forastieri (Portal Social Bubot), o debate buscou encontrar ideias para lucrar em um ambiente onde ninguém quer pagar por nada: a internet.

Foram mais de uma hora sob forte calor em que Forastieri provocou os convidados para que falassem sobre modelos e oportunidades de negócio para quem quer viver da internet. Jonny Itaya começou a conversa criticando a cultura do usuário brasileiro. “Parece que é uma ofensa ganhar dinheiro ou pagar por alguma coisa. Se você coloca uma publicidade, as pessoas te criticam e te chamam de ganancioso, mas também ninguém quer pagar por conteúdo”.

Para Wjuniski, essa cultura vem da época da bolha da internet, criada no final dos anos 1990, quando a valorização das empresas era baseada no número de usuários e não na receita. “A cultura de usuário foi criada no momento em que a receita não era valorizada. Isso gerou uma grande evolução na internet, que precisou se adaptar há um modelo gratuito. Por isso, a questão não é ter conteúdo de graça, mas aprender a valorizar o entorno”.

Nesse ponto, Severo destaca o acordo feito pela Apple com as gravadoras – de vender músicas por US$ 0,99 – como uma solução para estimular os usuários a consumirem conteúdo original. “O que a Apple fez foi usar o poder da plataforma de distribuição dela, no caso o iPod, o iTunes e o Mac, para criar um modelo que, mesmo sem ter feito 100% das pessoas pagarem, facilitou a vida daquelas que gostariam de financiar o conteúdo original”.



O problema desta indústria, segundo ele, é que muitas obras ainda são lançados com restrições territoriais. “Em um mundo conectado em rede como o atual, não faz mais sentido lançar produtos culturais com licenciamento territorial. Isso acaba resultando em dilemas: devo baixar o pirata ou esperar três meses para assistir a série? Essa estrutura precisa ser mudada pela industrial cultural porque estimula o acesso ao conteúdo ilegal”.

REVOLUÇÃO SEXUAL

Entre as formas de lucrar na web, também foi discutido um modelo que tem emergido como uma forma concreta de viabilizar negócios: o Freemium, cuja premissa é oferecer conteúdo grátis ao usuário enquanto cobra-se um preço por recursos mais avançados e especiais.

Forastieri arrancou risos da platéia ao comparar o modelo com a revolução sexual. “Antes, para um homem levar uma mulher para cama precisava ter um bom emprego e a aprovação do pai da moça. Depois da invenção da pílula, as pessoas dão uma experimentadinha e no dia seguinte dão outra. Com o Freemium é a mesma coisa. Meu filho de 8 anos joga um troço diferente todo o dia e quer que eu faça a assinatura de todos. É uma 'putaria' absoluta”, disse.

Para Wjuniski, as empresas devem fazer testes para estudar como funciona o comportamento do usuário no Freemium, uma vez que o modelo não precisa ser mais discutido. “Trata-se de um padrão já consolidado e que também existe no offline. Para andar na rua é de graça, para andar de taxi é pago. O principal é fazer a conta fechar. A empresa que tem qualidade e consistência consegue, a que não tem fracassa. Assim como em qualquer modelo no mundo”.


Publicidade Online
Perguntado se ainda é difícil manter um site só com publicidade, Severo disse que sim, mas que o mercado está crescendo 30% ao ano. “São números muito bons. Quase nenhuma indústria cresce nessa proporção. E quando olhamos para o mercado brasileiro, com expectativa de atingir 120 milhões de usuários online até 2015, vemos que este só é o começo na brincadeira. Têm muitas empresas brigando pela mesma grana no Brasil hoje”.

Forastieri lembrou que o valor dado ao internauta ainda é bem inferior ao de outros leitores. “Se tiver um milhão de caras lendo um jornal, isso vale muito dinheiro, mas se tiver um milhão de caras lendo a home de um portal, isso já não vale tanto assim”.

Sobre isso, Severo concordou e disse de tratar de uma percepção de valor errônea, mas com prazo de validade. “Boa parte das pessoas que ocupam cargos de chefia da área de marketing são de uma geração que cresceu comprando jornais e assistindo TV. Na medida em que a geração da internet ocupar esses cargos, essa mentalidade irá mudar”.

Outro modelo discutido durante o debate foi o de doações praticado pelo Wikipedia, que vive sem publicidade e precisa do apoio da comunidade dos usuários. Para Severo, o valor do produto na internet é determinado pelos que o acessam e não por aqueles que o geram. Sendo assim, o usuário paga o quanto ele enxerga de valor no produto.

No final, os palestrantes deram as seguintes lições para a platéia e aspirantes a empreendedores: contratar um bom advogado, trabalhar muito e saber fazer conta. “Se você não consegue fazer as contas da sua empresa numa calculadora de botão grande, caia fora”, concluiu Forastieri.

Fonte: MSN Tecnologia
Por: Pedro Sirna