quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Elas estão Traindo Mais

 

Olá Leitores do BLOG Forme & Informe!!


Achei essa matéria "Elas estão Traindo Mais"   publicada pela Revista IstoÉ interessantíssima e então logo resolvi republicá-la aqui em meu Blog.

De forma que ... Aí está ... Boa Leitura !!!

Na geração até 25 anos, metade das mulheres assume que já foi infiel e o ambiente de trabalho é o local que mais favorece as escapadas


INSATISFEITA CARLA TRAIU O MARIDO PORQUE ESTAVA INFELIZ COM SUA VIDA SEXUAL


Fim do expediente. Ela recolhe a papelada da mesa, desliga o computador e sai com a nécessaire a tiracolo em direção ao banheiro. Lá, do alto de seu 1,78 metro, ajeita a meiacalça antes de caminhar sem pressa para a frente do espelho. De olhos bem abertos, começa conferindo um tom mais vivo às bochechas alvas e termina escovando os cabelos castanho-claros até quase a cintura. Faltava apenas o batom, que ela sacou da bolsa e calmamente deslizou apenas no lábio inferior, que, por compressão, tingiu o superior. Do lado de fora da empresa, o rapaz que a aguarda dentro do carro vê a hora no relógio e examina o movimento ao redor antes de checar o penteado no retrovisor. Tudo pronto, ela dá o passo final com uma mensagem enviada pelo celular, enquanto desce as escadas: "Oi, amor, vou entrar em uma reunião aqui no trabalho e chegarei mais tarde em casa."

   O que há de novo no comportamento feminino descrito acima? Não é a mulher protagonizar uma história de infidelidade. Clássicos da literatura, como Anna Karenina, de Tolstoi, e Madame Bovary, de Flaubert, provam que o comportamento é antigo. A novidade, segundo especialistas, é o fato de a traição praticada por elas estar cada vez mais freqüente - e não se revelar apenas no divã do terapeuta. Dados inéditos do estudo Mosaico Brasil 2008, coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade (ProSex) da USP, revelam que cada vez mais as brasileiras pulam a cerca.

Foram ouvidas 8.200 pessoas em dez capitais (leia quadro à pág. 70). Basta um olhar sobre três gerações para ficar claro que o padrão de infidelidade delas vem se modificando. Das entrevistadas acima de 70 anos, apenas 22% confessaram ter tido alguma relação extraconjugal. O índice sobe para 34,7% para as mulheres entre 41 e 50 anos e atinge o pico de 49,5% entre as de 18 a 25 anos. "A traição masculina ainda é maior, mas está estável. Já a praticada pela mulher tem crescido", afirma Carmita, autora de Descobrimento sexual do Brasil. Nos consultórios, a sensação é a mesma. Especialista em relacionamento amoroso, o psicólogo Aílton Amélio da Silva, da USP, vai ainda mais longe. Para ele, a brasileira trai pouco. "As oportunidades aparecem diariamente e encontram- se pessoas bonitas o tempo inteiro", diz ele, autor do livro Para viver um grande amor. "Mas, se antigamente havia uma agulha no palheiro, hoje, com certeza, há três."
Não é à toa que o jardim do vizinho tem parecido mais interessante aos olhos do sexo feminino. O cenário atual é amplamente favorável e a liberação sexual atingiu um patamar único na história, com maridos apavorados queixando-se para o terapeuta que a esposa quer manter relações sexuais todo dia. "Eu não tinha mais sexo em casa. Meu marido não dava conta", diz a gerente de banco paulista Carla* (*nomes fictícios), de 27 anos, que foi casada por cinco anos. Ela trocou o marido pelo amante depois de passar dois anos mantendo um relacionamento extraconjugal. "Fiquei carente e com quem vou conversar? Com o cara que eu via todo dia: passei a me relacionar com o dono do restaurante onde eu almoçava", conta.
Especialistas no assunto afirmam que, à luz da percepção social, compreendem-se mais as escapadas femininas, apesar de o machismo ainda imperar. Não são poucos os casos em que a Justiça brasileira determinou o pagamento de uma quantia em dinheiro, como dano moral, para homens que provam ter sido traídos. "As pessoas estão mais corajosas para tomar atitudes. A separação é uma penalidade do adultério. O dano moral é quando o adultério expõe o outro ao vexame, à hostilidade pública e ao desrespeito", explica a advogada carioca Tânia Pereira da Silva, professora da UERJ e membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam).

Há uma reviravolta histórica a se considerar também. Se antes à mulher cabia o dever de se entregar a um único homem e passar o tempo cuidando dos filhos e do lar, hoje o quadro é outro. Houve uma queda significativa da taxa de natalidade, conquistada principalmente com a chegada dos anticoncepcionais, e a mulher, livre das amarras domésticas, optou por passar mais tempo nos escritórios e em viagens de trabalho ao lado de outros homens. Estar em contato com o sexo oposto a maior parte do dia pode ser como riscar um fósforo ao lado de uma bomba de gasolina. É o que mostra uma pesquisa feita pela sexóloga americana Shere Hite. Segundo ela, 60% das pessoas que trabalham juntas já tiveram um envolvimento amoroso entre si.

Foi assim que a diretora de marketing carioca Amanda* traiu o marido. "Fiquei com um amigo que trabalhava comigo na festa de final de ano da empresa, em uma boate. Cheguei em casa e meu marido estava dormindo. Deitei ao seu lado e ele nunca desconfiou", diz ela. Com oito anos de relacionamento - metade deles casada -, a diretora de marketing pediu a separação poucos meses depois de ir para a cama com o colega de trabalho. Antes do rompimento, encarava cada vez mais horas extras e saía com amigas com freqüência para não ter de voltar logo para casa. "Meu casamento já não tinha mais sentido", justifica Amanda, hoje, aos 39 anos.


REVIDE ... Juliana tem um namorado há dez anos e um amante há dois. Traição do namorado a incentivou a ser infiel

VIDA DUPLA Joana conseguiu enganar o namorado e o amante, que era o chefe, durante um ano. Hoje está sozinha ...

Entre os casais mais jovens, segundo um estudo da National Science Foundation, da Universidade de Chicago, a razão principal do aumento da infidelidade feminina é a oferta de pornografia na internet. Expor os sentimentos com maior desenvoltura por meio de ferramentas eletrônicas, como sites de relacionamento e programas de mensagem por computador, é característico da mulher da nova geração, mas contagia também pessoas com mais idade. É uma nova forma de manter uma relação extraconjugal. "A internet é o primeiro passo em uma estrada para a traição", alerta Ailton Amélio, da USP. "Mas muitos acham que teclar com outro não configura infidelidade e que isso só acontece quando há envolvimento físico", pontua a sexóloga e psiquiatra Regina Navarro Lins. Vale lembrar: trair é enganar o outro. Seduzir online, sem que isso seja permitido pelo código estabelecido no relacionamento, é infidelidade.

 NA NOITE Pouca atenção do namorado permitiu que Laís conhecesse outra pessoa na balada ...


Na contramão do mito "o homem é sempre o último a saber", um estudo divulgado no mês passado por pesquisadores da Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, indicou que eles são mais desconfiados e percebem melhor os sinais da traição do que as mulheres. Os dados revelam que 75% deles detectam a infidelidade, contra apenas 41% delas. Outros números da mesma pesquisa explicam que o motivo da percepção aguçada deles é o fato de ainda serem mais infiéis. Dos 203 casais entrevistados, 29% dos homens admitiram já ter traído, contra 18,5% das mulheres. "Os homens percebem com mais facilidade a mentira e a dissimulação porque são mais mentirosos e dissimulados. Ele tende a julgar a mulher pelo que ele faz", analisa o psicólogo Thiago de Almeida, da USP.

Quem já se arriscou a ter histórias de amor paralelas sabe que o malabarismo nem sempre impede que os pares se cruzem. A advogada carioca Joana*, 29 anos, namorava há dois anos quando se envolveu com o chefe. Os sábados e domingos eram do namorado. Os outros cinco dias, do amante. No escritório, onde trabalha durante dez horas por dia, a paixão pelo chefe ganhou força, e o que deveria ser esporádico se tornou constante. Sem coragem de assumir que já tinha um compromisso, manteve o envolvimento duplo durante um ano em sigilo absoluto. "Muitas mulheres não sabem ficar sozinhas e precisam de uma carta na manga, caso uma das relações chegue ao fim", pondera a psicanalista Rosa Reis, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro.

Ao namorado, Joana dizia que o trabalho a absorvia nos dias úteis. Ao amante, que precisava dar atenção à família e sair com as amigas nos finais de semana. Culpar a bateria do celular, alegando que, misteriosamente, ela chegara ao fim, também era desculpa. "Ia com um a lugares que eu sabia que o outro jamais iria. Era uma paranóia. Programava o celular para vibrar, evitava MSN, apagava e-mails e tinha medo de trocar o nome deles. Cheguei a contar histórias para um e depois achar que havia falado para o outro", confessa a advogada. Certo dia, o chefe acessou os e-mails de Joana e descobriu uma mensagem do namorado, que se referia a ela por um apelido íntimo. Pega de surpresa, ela não teve tempo de elaborar uma mentira e, hoje, lamenta o fato de ter ficado sem o oficial e sem o paralelo.

O psicólogo Thiago de Almeida divulgou há três meses uma pesquisa com 544 mulheres e 355 homens e constatou que homens e mulheres são infiéis por motivos diferentes. A maioria dos homens (35,6%) trai pelo efeito novidade e 19,6% pelo prazer e aspecto lúdico. A maioria das mulheres (33,8%) trai por retaliação ou vingança, 19,7% pelo efeito novidade, 15,5% pela carência física e emocional e 11% pelo sexo.

Rápida, prática e vingativa, a funcionária pública paranaense Marisa*, 28 anos não hesitou em dar uma lição no namorado. Dez anos atrás, ele decidiu passar a noite do Natal com outras pessoas e ela deu o troco: chamou um amigo para a ceia na casa dela e ficou com ele. Oito anos depois ela soube de puladas de cerca do namorado. "Descobri que ele havia me traído três vezes. Então liguei para aquele amigo e iniciei o caso com ele. Estou há dez anos com o meu namorado e dois anos com o meu amante", revela. A arquiteta baiana Juliana*, 27 anos, foi mais longe. "Eu não sentia desejo sexual pelo meu namorado. Com raiva e sem nenhuma sensibilidade, ele dizia que eu estava feia e gorda, o que me irritava profundamente", conta. Ela resolveu pedir consolo ao melhor amigo do namorado e passou a noite com ele. Mais tarde o parceiro da arquiteta descobriu tudo e cortou relações com os dois.

Segundo o psicólogo Almeida, é raro a mulher se tornar infiel pelo puro desejo sexual. Em geral, há um envolvimento emocional, uma admiração pelo amante e a manutenção do caso é motivada pela carência e sensação de que não está sendo valorizada na relação. Foi o que aconteceu com a administradora gaúcha Laís*, 26 anos. Depois do primeiro ano juntos, o namorado dela se dizia cansado com freqüência, o que a fez se sentir rejeitada. Para recuperar a auto-estima, ela foi buscar conforto nas baladas de Porto Alegre. "Conheci outra pessoa e ficamos juntos por três meses. Nos falávamos todos os dias pelo MSN e, como meu namorado nunca tinha tempo para mim, não faltava oportunidade para eu encontrar o outro." Laís conta que seu humor deu um salto e, em contrapartida, o namorado passou a questionar o motivo de tanta felicidade. resultado: a gaúcha pôs um ponto final nos relacionamentos e resolveu ficar sozinha.

Para a sexóloga Regina Navarro, autora de A cama na varanda, tanto homens quanto mulheres sabem que sexo é bom e, cada vez mais voltados para suas individualidades, gostam de variar. Ela cita que Woody Allen mostra isso em seu novo filme Vicky Cristina Barcelona, para o qual ele escalou atores para viver um quarteto amoroso. A sexóloga fala da poligamia como tendência, existe aqui e acolá, mas não predomina. "O pacto de exclusividade é o grande vilão da história. É o responsável pela falta de tesão na relação, uma das razões alegadas por quem decide fazer sexo com outra pessoa", opina Regina. Ela verificou em pesquisas que, para cada marido que perde o desejo pela mulher, quatro esposas se sentem da mesma forma em relação ao parceiro.

Carioca de 27 anos, a estudante Beatriz Pro vasi conta que pulou a cerca mais de cinco vezes durante os seis meses de um namoro que terminou no ano passado. Para ela, é normal amar uma pessoa e fazer sexo com outra. "É balela essa história de que homem trai por sexo e mulher por amor. As pessoas se moldam à cultura social, que prega a monogamia. Mas nosso instinto é poligâmico", opina. Beatriz, que vive um relacionamento aberto há cinco meses, não havia acordado no namoro anterior que a poligamia deveria ser a prática entre eles. Por isso, considera que foi infiel. "Infidelidade é a falta de honestidade, é trair a confiança", diz ela, que, entretanto, não se arrependeu.

Há diferenças entre gerações. Segundo Celso Marzano, terapeuta sexual e diretor do Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade, a culpa é rara entre as mulheres mais jovens e solteiras, e mais intensa entre as maduras, que têm mais a perder, caso sejam descobertas. "As casadas com filhos refletem mais sobre as conseqüências da traição. Elas temem serem julgadas pelos outros e perderem o respeito dos filhos", avalia.
LIVRE  Durante um namoro de seis meses, Beatriz (foto ao lado) viveu romances com várias pessoas e não se arrepende ...
Mudança de comportamento é um bom indício de infidelidade. A gerente de banco paulista Carla*, que passou a ter como amante o dono do restaurante, deixou de procurar o marido na cama e não se incomodava mais quando ele saía com os amigos. "Antes, quando eu chegava mais tarde em casa por causa do trabalho e ele questionava o horário, eu me estressava. Depois que passei a sair com o outro, ele reclamava e eu dizia: 'Estava com o amante, lógico!'. Ele ria comigo e nunca soube do meu caso. "Carla* trocou o marido pelo amante, com quem namorou por dois anos. Hoje, solteira, sua conclusão vai na linha "o crime não compensa". "Não conheço ninguém que, de amante, virou oficial e viveu feliz para sempre."






Por: Rodrigo Cardoso e Carina Rabelo