segunda-feira, 18 de abril de 2011

Brasilidade Mitológica

Morreu José Alencar. Todas as vezes que morre alguém desse talhe a mídia atiça e emplaca uma nova roupagem na fabulosa Mitologia Brasileira. Sem dúvida vivemos em um habitat mitológico, pessoas crêem e fazem coisas sem saber o motivo, sem saber ao menos se é falso ou verdadeiro. Morreu mais um José, mas, não foi aquele seu “zé” da Comunidade do Timbó que foi atingido por uma bala “achada”(se fosse perdida jamais teria matado, estaria perdida até hoje), destarte, quem morreu foi o José Alencar biografado pelas lentes da mídia, não o verdadeiro José Alencar, ocultado pela mesma mídia: Empresário, Ex-Vice Presidente, Bilionário, Monopolizador, Soberbo, Luxuriante, Avarento, Romeiro, Mariólatra, e morreu do jeito que saiu do ventre da sua madre, e o mais grave: morreu órfão da Luz dos homens.



Parece um filme de ficção quando essa “espécie de gente” desaparece do ambiente físico, e na liturgia capitalista morreu emblemáticamente convertido pela mídia como um lendário homem, uma espécie de mito. A Presidenta decreta luto oficial (pra quê?), a mídia marketeada distorce a verdade, milhares de pessoas entorpecidas pelas matérias sensacionalistas e pirateadas sobre o falecido (quase um santo beatificado) emocionam-se, choram, gritam, desmaiam (a maioria nem conhecia ele), angustiam-se, fazem manifestações de solidariedade, vestem-se de preto (o que a cor preta tem haver com a morte?), acendem velas, incensos e vão em procissão até o velório do cadáver levar flores e dar o seu último adeus ao extinto José Alencar, mas, peraê!!, Que estória é essa de último adeus? Afinal, ele morreu ou não? Que corrente filosófica poderia explicar a realidade de uma despedida entre um ser vivo e um morto? Um ser vivo que despede-se de quem não pode despedir-se? Que coisa!! Acredito que até Aristóteles em suas obras de metafísica iria ficar confuso para entender isso. Na Brasilidade Mitológica os fenômenos místicos vagam aliciando as pessoas aos mais estranhos comportamentos. O sofisma da crendice religiosa é uma compulsão que nutre a coreografia do ritual do mito que reside no gueto das almas dos habitantes do país de Pedro Álvares Cabral, a orfandade de conhecimento e a fartura da ignorância são vias por onde trafegam a Brasilidade Mitológica. O mito é uma patologia à sanidade da vida espiritual, você recorda quando Jesus disse: “Se o Filho vos libertar, vocês serão, de fato, livres”. (Jo. 8.36 – NTLH), Jesus em onisciência previa os efeitos nocivos do mito. Onde não há a Verdade, há mito, onde há mito há escuridão, detenção religiosa, anemia e paralisia espiritual, e o mais estarrecedor: Não há a Liberdade Salvadora. Sem a Verdade a epidemia do mito com seu clima alucinógeno vai permanecer sedando, hipnotizando e conduzindo multidões a lugares movediços, lugares ermos onde a força humana ou qualquer que seja a tecnologia “ultra-moderna” são incapazes de resgatar e salvar alguém ludibriada pelo mito.


Por: Alex Albuquerque (Alex é Publicitário, e atualmente um dos alunos sobreviventes do 4º ano do Curso de Teologia do Seminário Betel Brasileiro em João Pessoa)